"Cada um por si e Deus por todos"
"ema, ema, ema, cada um com seu problema"
"cada macaco no seu galho"
Quem nunca ouviu ou falou uma dessas expressões? Seja numa brincadeira entre amigos ou em momentos de intensa discussão?
Já faz um tempo que reflito sobre esse tema. Me lembro de um dia em que estava na fila do ponto de onibus do Terminal Urbano de Londrina. Como sempre, as pessoas não haviam acabado de desembarcar e os que esperavam na fila literalmente avançaram para dentro do onibus. Até aqui tudo bem. Mas o que me chamou a atenção foi o que vi ao entrar e observar as pessoas dentro do onibus: a maioria estava sentada nos lugares individuais. Desde entao, comecei a observar que as pessoas, quando sozinhas, sem acompanhantes, procuram exatamente os lugares individuais. Bem, você pode dizer: "é obvio, Luciano. Se a pessoa está sozinha, por que sentar-se em outro assento que nao o individual?" Obvio pode até ser, mas me intrigou e muito. Pensei em muitos motivos e entre eles cogitei a possibilidade de ser uma questão de limites: "não gosto que ultrapassem os meus limites" - e convenhamos: num transporte urbano coletivo limites são impossiveis, principalmente em horarios de pico.
Me contentei com essa explicação e abandonei os questionamentos.
Porém, há algum tempo me inquietei com outro fato. Ganhei de presente um mp3 player e a partir de então voltei mais minha atenção às pessoas que também usavam aparelhos semelhantes. Quanta gente! Todos os dias me deparo com pelo menos 4 ou 5 pessoas que estão a ouvir seus players.
Sei que é otimo ouvir as musicas preferidas no trajeto até a escola, faculdade, trabalho, etc... mas entendo que as pessoas estão se fechando cada vez mais em seus próprios mundos. E se você usa um player sabe que é exatamente isso que acontece. Aquele mundo com aquela musica é só seu. E às vezes, não é bem vindo alguém que venha te "atrapalhar". É um momento só seu.
Outro fenômeno intrigante são as lan houses - adolescentes passam horas frente ao computador fazendo uso de jogos em rede, nos quais além de se jogar sozinho, deve se "destruir" o outro.
E as crianças? Têm se interessado muito por brinquedos eletronicos que impossibilitam a participação do outro.
Alguns ambientes sociais têm gerado inúmeros problemas, acentuando ainda mais todo o problema.
Os governantes (a maioria) que seriam a expressão-mor da coletividade só tem se preocupado com seus proprios interesses. E "o resto é resto"
I N D I V I D U A L I S M O
Numa época em que o mundo está cada vez mais globalizado, e parece que até tende para uma união global, as pessoas estão ficando cada vez mais individualistas. A coletividade está se fragmentando...
pergunta clássica: PARA ONDE ESTAMOS INDO?
Será que não é hora de pararmos e repensarmos nossa situação? Vamos esperar o mundo virar um caos para fazer isso? Teremos de sofrer mais, como temos sofrido com o aquecimento global, para tomar uma atitude!?
Espero que não.
E você, o que tem a dizer?
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
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3 comentários:
Bom o espaço dve ser respeitadu...
porem a convivencia humana eh necessaria, pq se naum o fosse pq Deus criaria uma raça e naum somente um ser humano?
Deus criou o homem, o homem c a inteligencia dada por Ele a sociedade... e se somos sociaveis e inteligentes deveriamos pensar mais no q nos cerca!!!
bjim manim
Me pergunto como reverter essa situação ou despertar as pessoas para esse individualismo? Plantando algumas sementes: uma reflexão como a sua, o culto à amizade, conversar com seu vizinho, jogar papo fora no ponto de ônibus, um gesto de gentileza... Uma atitude que seja!
Abs
Lu, vc está coberto de razão. As pessoas estão mesmo cada vez mais individualizadas, serializadas para utilizar o conceito de um sociólogo. Não sei se cheguei a comentar com vc, mas meu projeto de social foi exatamente sobre isso... Coletamos histórias em ônibus urbanos e desenvolvemos a noção de como a sociedade passou de uma sociedade grupal para uma sociedade serializada. Cada um se preocupando apenas consigo. Foi muito interessante, mas o que mais chamou atenção em nosso caso,foi que as histórias que coletamos não costumam acontecer com frequencia, mas quando algo diferente acontece, como em caso de perigo, assalto, desmaios as pessoas saem um pouco do individualismo e tentam se ajudar. O que fica martelando é: Porque só nesses casos? Porque não tentar ajudar sempre? Tentar sempre fazer o melhor pelos outros?
Beijo
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